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Brasília.

Quinta-feira, 2 - Abril, 2009

Enquanto os outros lobos aqui falam sobre novidades do mundo moderno  (dessa pipoca moderna – como diria Siba, vocalista do Mestre Ambrósio – para ser bem sincero) eu venho falar sobre algo nada novo. Brasilia. Para isso, paradoxalmente, ouço a música Pipoca Moderna do Mestre Ambrósio (pegou o hiperlink-lifestreaming-cambota-overdrooling? Também sou moderno, poxa!). Abaixo, um vídeo com a música.

Eita banda excelente. Mas… não desfoca. O esquema é Brasília. Não há como não deslumbrar com o tamanho daquilo tudo. Quando você entra naquela cidade pelo Eixo Monumenal é uma imagem marcante. Tudo é gigante, tudo chama a atenção. Parece uma Itu realizada, mas uma arquitetura simples, funcional, que chama a atenção pela magnitude e importância. Sempre tive uma idéia de ostentação em relação ao projeto urbanístico de Brasília; longe disso. Tirando as obras mais novas e mais pipocas modernas (como a Procudaria Geral da República, que é até ‘colossal’ no meu ponto de vista ou a ponte JK, que Santo Agostinho-style: tem que ver para crer).

Eu sei que esse é um testemunho de um deslumbrado. Para quem mora em Brasília isso passa desapercebido, para outros tantos que foram e que não gostam de lá, na maioria da vezes, achama mais um desperdício gigante do dinheiro da nação (com razão, em parte – até porque se nenhuma obra tivesse ligação com desvio de dinheiro e corrupção, daríamos para nos orgulhar de lá de todas as formas possíveis). Eu até tenho orgulho de Brasília e suas obras. Niemeyer, Burle Marx, JK e os candangos, com suas obras-primas, inspiração, visão e muito trabalho (respectivamente?) construíram uma cidade que não tem igual. Não há nada parecido com Brasília. Eu já procurei na Internet: arquitetura, urbanismo, etc… Brasília tem muita influência, mas como um todo é única.

Disso tenho orgulho. De andar a pé naquele eixo monumental e me sentir mínimo diante daquilo tudo. Um mero espectador da história.

Isso que dá raiva de Brasília.

Na maré oposta disso tudo, ela torna a disparidade, a desigualdade, a falta de oportunidades iguais muito maior. Vejo o Congresso Nacional e me sinto cada vez mais distante da democracia. Não dessa que rege e mantém a civilidade entre as pessoas. É daquela que nos dá vontade de clamar por democracia quando, ao voltar para a sua cidade (pela BR-050, para ser bem específico) não dá para ver as listas que separam as pistas a noite, e ir lá brigar com todo mundo. É dessa possibilidade que sinto falta.

Brasília nos torna impotentes, nos torna mínimos. Faz com que fiquemos parados diante daquela magnitude. De onde veio o dinheiro para construir tudo aquilo (inclusive o estranhíssimo Pombal na praça dos Três Poderes) dava para fazer o que mais pelo Brasil? Todo o dinheiro supostamente desviado pela corrupção e não recuperado daria para fazer a minha vida melhor? A sua? A nossa?

Fico desanimado por nossos políticos não verem isso. Não há ninguém de todo mal, isso só tem em novela e filme. Se todo mundo olhasse para lá e visse um pouco do que eu vi, sei lá… mudaria alguma coisa. Não porque tenho razão ou sou o salvador da pátria, mas é que eu acho que entendi um pouquinho  o que Brasília quer nos passar. O que a história do nosso país quer nos mostrar.

Quando saio de lá, sempre vou pelo Eixo Monumental. Não tem uma vez que não sinto que estou saindo de uma das mais genuínas representações do Brasil. Historicamente, culturalmente, “desigualdademente”.

Mas, sempre sinto que ainda verei algo muito novo saindo de lá. Não sei o que é, mas será bem interessante. Já houveram lampejos, como o impeachment do Collor.

Que Brasília seja a realização de algo único: temos tão pouca história e já passamos por tanta história. Do totalitarismo à democracia em 30 anos. O primeiro impeachment já com 4 anos de democracia.

Temos futuro e, sem dúvida, ele aponta para Brasília.

Minha primeira foto de Brasília

Minha primeira foto de Brasília

P.S.: viagem com a Flávia é sempre bom, diga-se de passagem.

P.S.2: um grande beijo a Isabella, que forneceu pouso para eu e a Flávia nesse fim de semana.

P.S.3: sem ambas, Brasília só seria para mim a capital do nosso país.

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6 comentários leave one →
  1. savastano permalink
    Quinta-feira, 2 - Abril, 2009 02:45

    O que eu penso sobre Brasília é o seguinte: ela foi feita no meio do nada justamente pra evitar isso que você falou. O nosso grito por democracia.

    O ser humano é quase sempre cômodo (isso ainda tem acento?) e se tiver que andar muito pra reclamar, ele prefere ficar na dele.

  2. Felipe permalink
    Quinta-feira, 2 - Abril, 2009 12:54

    Belo post Diego, só não escutei a música recomendada nele porque onde estou não tem som
    Nunca fui à Brasília, só fiz escala no aeroporto lá uma vez, e há muuuito tempo fui em uma cidade satélite de lá, mas nem lembro.

    Sobre “Fico desanimado por nossos políticos não verem isso. Não há ninguém de todo mal, isso só tem em novela e filme.”, eu digo que não há ninguém de todo mal, mas de todo egoísta…

    Abs,

  3. Domingo, 19 - Abril, 2009 03:02

    Ótimo Blog!

    Abraços
    Thiago França
    Guia de Brasilia

  4. bruna permalink
    Domingo, 28 - Novembro, 2010 23:27

    Brasília é linda…estive lá há quase dois anos. Minha primeira viagem de verdade. Também fiquei encantada com os formatos, sons e cores daquele lugar. Quase consegui visualizar a biografia do Renato Russo naquelas super quadras….Infelizmente tais lembranças me trazem certa melancolia…o que não aconteceu com vc (ainda bem!). Vc reparou que vindo do eixo monumental em direção ao congresso, é possível ver a bandeira da praça dos três poderes EXATAMENTE no meio das duas grandes estruturas que formam o prédio? (aquelas duas “torres gêmeas” hehe). Fiquei abismada com a perfeição nos detalhes. Niemaeer é o cara.

    Adorei o blog viu 🙂

  5. Quarta-feira, 1 - Dezembro, 2010 23:44

    Bruna,

    valeu pelo comentário! lá é feito nos mínimos detalhes!

    vou começar a escrever novamente no blog… houve umas saídas do blog que desanimaram. mas tamaê!

    continue nos acompanhando.

    inté

  6. eduardo viveiros de sousa permalink
    Quinta-feira, 9 - Dezembro, 2010 20:09

    se Brasília algum dia foi feito pra afastar o povo das decisões democráticas de nosso país, foi um fragorosa derrota da elite, porque, hoje, temos 2 milhões de pessoas morando aqui, dois milhões que foram mais que suficientes pra derrubar o collor, ou receber o lula na primeira eleição dele, por exemplo.Brasília não é mais da elite, é do povo.Meus avós construíram esta cidade e sinto que , assim como todos os brasileiros, sou dono e herdeira dela. E via o Brasil!!

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