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Reality xou da xuxa

Segunda-feira, 3 - Agosto, 2009

O ser humano não se contenta com a vida própria.
Por mais que ele tenha uma vida boa, uma vida “perfeita”, ele precisa saber o que se passa com a vida dos outros.
Seja para ver alguma coisa errada, para fofocar, para apontar erros e defeitos, por curiosidade, ou qualquer outro motivo. Bisbilhotar acabou se tornando parte da natureza humana.

Acabou se tornando porque a princípio, não temos essa características. Somos muito curiosos, desde os primeiros passos na infância, buscamos sempre pegar alguma coisa desconhecida, levar à boca para ver qual o gosto, perguntar sobre tudo, sem nenhum pudor. Mas isso acaba sendo só um recurso empírico para conhecer coisas que, até então, são desconhecidas. Se limita ao nosso mundo, e não às pessoas que vivem nele.

Aí eu não sei o que causa em nós, que sentimos um impulso quase incontrolável de xeretar a vida alheia.
Não sei se foi o comodismo, com novas tecnologias, ou se é por pura hipocrisia.

Comodismo com novas tecnologias? O que isso tem a ver com fofoca?

Explico: você acha que um homem das cavernas, mesmo que não se comunicassem muito bem, se interessava em saber o que a vizinha da caverna ao lado estava aprontando? Quem estava arrastando ela pelos cabelos pelos campos a fora?
Não. Ele se interessava em agarrar a guria que ele queria pelo cabelo, e caçar alguns animais pra ter comida.

Aí aparece a comunicação, o ser humano aprende a escrever, ler, etc. Passam milhares de anos, e inventam o rádio, a tv, e fazem com que a família passe grande parte reunida em volta de um equipamento eletrônico, absorvendo tudo que ele transmitir. Aliado a isso, criam, pelo menos cá no Ocidente, um estilo de vida que para ser bem sucedido, é preciso ostentar. É preciso ter bastante coisas e se vangloriar de possuí-las. Um estilo de vida bem medíocre, mas que muitos seguem, ou senão, invejam.

Nossa vida acabou ficando tão banal, tão sem sentido, que nos agarramos às vidas de outros. Nossa vida pode ser uma maravilha, mas a vida da Paris Hilton, caindo bêbada por aí com as amigas famosas e estampando capas de revistas de fofocas, é BEM mais interessante que a nossa. Eu não sei o porquê. Mas tem gente que realmente acredita nisso.

E não falo isso somente valendo para vida de famosos, de um jeito ou de outro acabamos fazendo isso em outros campos.
Podemos não admitir, e poucos tem os culhões para admitir, mas morremos de curiosidade para saber que que a outra pessoa está fazendo.

As redes sociais estão aí para provar isso, e são um sucesso. Alguns usam para encontrar amigos, fazer novas amizades, mas o real motivo é que todo mundo está nessa para futricar e fofocar. Tanto que no orkut tem uma aba “Atualizações”, que é para te deixar sempre por dentro das últimas fofocas dos seus amigos.

A TV, nem se fala, virou um antro de fofoca da vida pessoal. Big brothers, reality shows, tudo explorando a intimidade das pessoas, mostrando como elas “são” (pelo menos a idéia é essa… não quer dizer que as pessoas realmente sejam elas – rodeado por câmeras é bem difícil de fazer isso). E são o maior sucesso.
Programas de fofocas sobre vida de famosos, que bombam durante a tarde em programas dos canais aberto, e rolam 24 horas no E!.
Pode ser que você que lê o texto agora não goste de nenhum desses programas, nem se simpatizem com eles, mas é apenas um retrato do que o brasileiro realmente gosta e faz: intriga.

Isso porque nossa vida é uma maravilha, somos todos ricos, nossas famílias estão todas bens, e vivemos rodeados de amigos. Não temos mais que nos preocupar com nossa própria vida, está tudo certo conosco, simbora gerar uma fofoquinha aê. Que mal tem, né?

Eu vejo isso como uma doença, em que paramos de prestar atenção a nós mesmos, nos blindamos da nossa vida mesquinha, olhando para o outro, focando que que o outro está fazendo, que que está rolando.

Se fossêmos menos hipócritas a ponto de admitir que fazemos isso, e gostamos disso, talvez não diminuísse em nada, mas pelo menos seria mais fácil de aceitar tal prática.

O que não rola é nego que fica negando até a morte que não faz/gosta disso. Sendo que é o hobby.

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