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Sumindo

Quinta-feira, 27 - Agosto, 2009

Fiquei um mês de férias de internet. Dei uma sumida… não sei muito porquê… mas sumi.

Do nada quis não depender de MSN, orkut, facebook, blogs, etc… consegui… mas, tive que arrumar muita coisa para fazer para passar o tempo e não ter vontade de acessar a internet – a não ser para trabalho.

Nesses dias, li muitas revistas e vi muitos filmes e documentários. Quando voltei a vida internética, estava mais interessado em uma coisa muito importante: nossas informações.

É óbvio que tudo que inserimos na internet é uma informação que pode ser dilapidada a fim de encontrar um padrão, gosto, costume, etc., de cada um de nós. Por isso essa discussão é muito importante: até que ponto vai a importância da nossa privacidade e do controle de nossas próprias informações que deixamos nos rastros pela internet?

É óbvio, também, que isso não é papo novo, mas nunca deixará de ser importante. Bases de dados de sites de relacionentos, tráfegos de IPs, emails, blogs, tudo é informação; só que eu não sabia o quanto isso abrangia. Exemplo: todas as suas finanças devem estar sob um sigilo fiscal e financeiro, correto? Se não estiver enganado, isso é lei. Mas, seu gerente já lhe ligou para discutir sobre um empréstimo para viagem, dividir contas no cartão ou perguntar se você não precisa de uma extensão de crédito? Certamente, ele não deve saber tudo isso lendo em memorandos ou arquivos em gavetas. Está tudo em uma rede, está tudo interligado.

Quando se para para pensar nessas coisas, dá até medo. Sites como o ZipCode é um exemplo dessa tecnologia de informações. Contact centers (nova designação de call centers) manipulam milhares de informações sobre comportamento de clientes diariamente.

Dois exemplos disso são: o sumiço do Belchior e o projeto Vanish da wired.

Belchior na capa do disco "Sempre"

Belchior na capa do disco "Sempre"

O Belchior é um compositor de longa data na MPB brasileira e já produziu música para ícones como Roberto Carlos, Elis Regina e Tom Jobim. É considerado um gênio por muitos. Mas, convenhamos, estava sumido. Há dois anos, deixando uma dúvida gigante no ar de onde está ele.

Não é fácil dar um sumiço assim hoje. Demanda um trabalho imenso, pois, com um celular de última geração, de um preço acessível, se pode postar uma foto dele em praticamente qualquer lugar.

Pelo que andei lendo sobre a desassociação dessa rede de informações, o Belchior é um exemplo. Realmente, não se sabe aonde está ele… não há rastros plausíveis para interceptá-lo. Pode muito bem ser uma estratégia para voltar em grande estilo (existe um rumor de que ele esteja traduzindo a Divina Comédia para o português), mas, ele é bom no negócio. Mas, se quiserem achar ele, acabam achando da noite pro dia.

O que aconteceu com Matthew Alan Sheppard. Resumindo [vale a pena ir no link e ler tudo], o cara tinha tudo na vida de forma aparentemente estável. Começou a ganhar dinheiro, poder e tudo subiu a cabeça. Gadget freak, não conseguiu controlar e tinha uma vida financeira nada saudável, contraindo dívidas. Trabalhava na EATON, num ótimo cargo, e ganhou um cartão corporativo. Nem precisa completar, mas… começou a estrapolar as dívidas no cartão corporativo para aliviar a barra da família, e a dele. Até que, obviamente, a empresa foi atrás para saber do que se tratava. Basicamente, depois disso, ele fingiu sua morte e viveu escondido/fugindo por um bom tempo para que a esposa ganhasse o seguro dele (mais de um milhão de doletas) e fugissem de uma vez por todas.

Obviamente, não deu certo. Ligações telefônicas, transações financeiras online, informações deixadas por ele em um site de empregos (com outra identidade), contatos com a família, etc. Tudo isso está na rede. Tudo isso é palpável. Acessível. Aliás, essa palavra, acessível, virou algo da moda… agora não se sabe até onde essa acessibilidade pode se voltar contra nós mesmos.

Com isso, partindo de uma idéia genial, o autor da reportagem da Wired, criou uma “promoção”. Ele sumiria por um mês e deixaria pistas pela internet (twitter, redes de relacionamento, um blog na Wired – citado acima). Quem o achar, ganha US$5 mil… tem que tirar uma foto com ele e dizer uma palavra chave (Fluke, o nome do labrador do Matthew).

finding Evan Ratliff

finding Evan Ratliff

O que ele tenta saber é o que é necessário para sumir realmente. Como isso deve ser feito. Informação é crucial, e quanto menos você informar, melhor para sumir. Eu tentei, por um mês, inconscientemente. Chegou um email do Submarino para mim no dia que resolvi “voltar” das “férias”. O Submarino, triste, me perguntava o porquê do meu sumiço do site e que daria de 5% a 10% nas últimas mercadorias que naveguei antes de sair.

Puxando pela memória, lembram de Clube da Luta? A idéia era destruir todas as sedes das grandes corporações de cartão de crédito para “zerar” todo mundo e o Tyler/Narrador caçar “não-me-lembro-o-que” nas ruínas de prédios de Nova Iorque. Será isso possível?

P.S.: para uma noçãozinha, entra no site http://whatismyipaddress.com/ e veja aonde você está, mais ou menos, ou senão coloque seu nome ou CPF no Google… pode ser que você fique entretido por um tempo.

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One Comment leave one →
  1. Quinta-feira, 27 - Agosto, 2009 07:22

    Eu ainda acho que seja possível sumir.
    Para isso, você tem que abrir mão de todas as tecnologias, evitar deixar rastros.

    Há sempre uma vila de monges no alto de uma montanha no Tibet te esperando de braços abertos.

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