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Journalism is A-changin’

Quinta-feira, 17 - Setembro, 2009

Tá, 2009 não acabou. Ainda faltam alguns meses. Mas se teve uma coisa que mudou esse ano, na minha opinião, essa coisa foi o jornalismo.
Pode não ter mudado taaanto assim, de começar a transmitir o noticiário em projeções estelares via laser, em âmbito mundial, mas mudou um bocado, principalmente no jeito de FAZER jornalismo.

Muito se falou, muita notícia saiu sobre notícia, algumas coisas mudaram, e é sobre isso este post.

Pra começar, diploma não é mais necessário para exercer a profissão de jornalismo. Quem quiser ser jornalista, não precisa mais de fazer um curso de graduação, só chegar botando banca que tu chega lá. Não acho que vá fazer muita diferença. O cara ser um jornalista depende não de um diploma, mas do cara saber fazer bem o que a profissão exige. Se ele é tão bom e consegue fazer tudo sem diploma, beleza. Se o cara é fraco (profissionalmente falando), não serão um ou mil diplomas que irão mudar isso.

Além disso, o famoso “furo de reportagem” ganhou outro patamar. Antigamente o cara tinha uma matéria bombástica, poderia preparar algumas coisas, tinha que fazer a chamada ao vivo, demorava uma meia hora até ajeitar tudo e botar uma notícia no ar, se ela fosse aprovada.
Hoje, o bagulho mal acontece, e já tem foto, vídeo e depoimento de testemunhas oculares, à disposição de todos.
Celulares e dispositivos móveis, compactos… Twitter, microblogging, rss feeds, agregadores de notícias… Tudo isso contribui pro jornalismo ficar mais rápido, dinâmico.
Veja o caso da morte do Michael Jackson. Caboclo mal tinha batido as botas, já tinha foto do presunto no twitter, postado pelo TMZ. No velório, jornalistas conseguiram se infiltrar e com o auxílio de uma câmera discreta e fizeram imagens que até então eram proibidas pela organização do evento.
O que está mandando é a notícia imediata, quase tempo real.

Apesar de eu acreditar que o jornal de papel está com os dias contados, tem pessoas que ainda possuem o hábito de comprar um jornal. Provavelmente não irão lê-lo, compram como parte de um costume. Na minha casa, assinamos um jornal de veiculação nacional. Eu nunca o leio todo, só passo os olhos pelas principais headlines e leio o pouco que me interessa. A maioria da notícia ali eu já vi no dia anterior em algum site de notícia. Esse é um problema do jornal “físico”, “material”. Quando ele alcança o público, muitas notícias já são de conhecimento, seja via internet ou em algum jornal da noite anterior. Ele possui um delay muito grande, que para esse ramo, só faz mal.

E quando eu disse logo acima que o jornal de papel está com os dias contados, eu não acho que ele vai ser extinto, como algumas pessoas acham que vai acontecer com o livro daqui uns anos… Não concordo com isso nem quando diz respeito a livros, revistas ou jornais. Acho que sempre irão existir, a diferença é que deixarão de ser um meio de comunicação principal, e passarão a ser voltado para mercados de nichos. Algo como um Whisky Premium, edição limitada – não é feito para consumo de todo o público; é feito para um tipo de mercado consumidor que aceita pagar o preço do produto, pela qualidade, tradição, costume, etc. Acredito que o jornal vai ter esse fim, mas não tão caro quanto um whisky. Sua veiculação será menor, talvez só para assinantes, algo assim.

Enquanto isso, algumas companhias começam a se mexer para não ficar para trás.
O Google já possuía um agregador de notícia, que eu acho bacana, porque podemos ver tudo que nos interessa, e que está sendo publicado no momento, além de poder procurarmos por notícias antigas, analisar a tendência de um determinado assunto (em qual mês se falou mais sobre ele). Isso tudo em alguns cliques, sem ter que ficar revirando várias e várias folhas. O mesmo Google lançou esses dias um serviço interessante, chamado Fast Flip, que você pode folhear entre diversos artigos e notícias, até achar o que lhe interessa.

A Folha de São Paulo, que já possuia uma site com notícias, além do jornal tradicional, resolveu lançar nesta semana a versão digital(izada) do jornal tradicional. É o jornal que você vê na banca, no mesmo formato, só que digitalizado na tela do seu pc. Penso que fizeram esta ação para atrair a clientela old-school, que não larga o pedaço de papel, para o mundo online e interativo da internet.

Acho que não é tão válida a ponto de me fazer utilizar um serviço desses, já que eu já conheço várias outras facilidades que são mais simples e dinâmicas. Mas para um púbico que não possui conhecimento de internet ou outras ferramentas atuais, é uma tentativa legal.

Com essas mudanças, e todo esse destaque jornalístico sobre o próprio jornalismo, é que penso que este foi o ano da profissão. Talvez seja ofuscado por um ou outro evento, mas no geral, 2009 it’s journalism’s year babe.

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3 comentários leave one →
  1. Sexta-feira, 18 - Setembro, 2009 09:47

    cara, eu não concordo com o esquema do jornal escrito!

    acho que o jornal vai tender para se tornar em uma fonte de opinião. e não só de disseminação de informação.

    além do que, o escrito informará coisas pequenas, como o caderno ‘cotidiano’ da folha. o jornal impresso não é um jornal de notícias, mas de pura opinião e ‘aconselhameno’… vide cadernos como o ‘mais’ da folha…

    😀

    abraços!

  2. Sexta-feira, 18 - Setembro, 2009 09:48

    só para eu seguir os comentários!

  3. Sábado, 19 - Setembro, 2009 11:47

    Cara, eu sou um comprador de jornal. Compro 3 por dia. Estadão, Valor e Lance (se é que podemos chamar o Lance de jornal). E leio todos.

    Essa maneira que você disse que lê o jornal da sua casa, acho que é uma maneira que todos leem. Ninguém lê todos os textos, por falta de tempo ou por falta de interesse. Foi assim que aprendi a ler, passar por todas as folhas e ler as manchetes que me interessam.

    Eu, particularmente, tenho um problema sério em ler coisas em uma tela. Pode ser um problema meu, ou um problema que muita gente tem. Mas fato é que eu prefiro comprar o jornal, pegar naquela papelada que suja a mão toda e ler uma coisa que pode ficar na minha mão.

    Não acho que o jornal vai ter seu fim. Afinal, é melhor ler do especialista do que do ZéGordinho.blogspot.com. O que pode acontecer é uma maior integração. Modernização dos jornais, das revistas.

    Mês passado foi feito o primeiro anúncio digital em uma revista, acho que divulgando a nova temporada de The Big Bang Theory. Vejo o caminho por aí. Digitalizar o conteúdo, mas poder continuar com ele em suas mãos.

    Lembra da cena de Minority Report, em que a cara do Tom Cruise aparece no jornal de um cara, meio que ao vivo? Em um mundo com Internet wireless, tudo é possível, mermão.

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