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A Quaresma e a Cachaça

Quarta-feira, 17 - Março, 2010

Para os hereges, a Quaresma é um período de oração, jejum e esmola, a partir de muita penitência e meditação (direto da wikipedia e do missal quotidiano que minha mãe tem e que não vende). No meu caso eu paro de beber, e todo dia que eu bebo eu tenho que doar uma cesta básica para os mais necessitados. Agora, por que? Porque acho válida a intenção de tentar estreitar ao máximo a relação que tenho com toda as divindades que respeito. Além de não beber, não aparo a barba totalmente.


Loucura? Bobeira? Pode até ser, mas também me faz bem, pois passar quase 12% do ano sem beber nada (depois de ter bebido os outros 88% sistematicamente) é uma boa pro próprio corpo: dá uma renovada nas células, melhoro meu tênis  e tudo mais.

Mais o que tem a ver a quaresma com a cachaça?

Tem a ver que eu amo cachaça e sua história. Tenho livros, DVD’s, bons exemplares da marvada (alguns acabaram) e um corotinho com uma mistura da cachaça branca do Vanderlei de Ituiutaba e um restinho de Seleta – só falto começar a fazer o treco:- um dos meus sonhos. E passar 46 dias (isso mesmo, na Quaresma, não se conta os domingos) sem degustar uma cachaçinha é complicado. Não porque eu morro se eu não beber, mas é porque sempre aparecem as melhores promoções, exemplares e tudo mais nessa época. É a Lei de Murphy aplicada a religião.

Então, lá vai a minha idéia: como a Quaresma, a cachaça é subestimada, incompreendida e deixada de lado, ao invés de ser estimulada.

Calma, calma que eu não sou de nenhuma pastoral, nem carola! Longe disso, só acho o parelelo entre as duas coisas interessantes. Ó, para quem ainda não sabe o que a “coresma”: a Quaresma é o período de 40 dias que Jesus passou no deserto, a famosa Tentação de Cristo, enfrentando várias tentações enviadas pelo próprio demônio. Para ter um noção mais “ampla” do que é a Tentação de Cristo, além da wikipedia, segue o trailler do filme “A Última Tentação de Cristo”, do Scorcese:

Até agora nada a ver com cachaça, obviamente!, mas a comparação começa quando eu tento entender essa passagem de Cristo. Deve ter sido pancada, um milagre, passar pelo que Ele passou; não há dúvidas nisso e o problema tá aí, para mim: os cristãos não damos muito valor nisso. Do mesmo jeito que a cachaça é um dos pilares da construção da identidade brasileira, e poucos brasileiro dão valor nisso. Prefere renegar a cachaça à apenas uma bebida de baixo calão, pouco desenvolvida, pouco destilada, só relacionamento ao seu baixo preço e alta facilidade de acesso. E a Quaresma, não é influente na cultura brasileira? O carnaval só existe por causa da razão da quaresma: o domingo de páscoa! Nosso carnaval é essa bagunça para ter o que pedir perdão na quaresma.

Incompreendidas, ambas são associadas ou a cachaceiros ou a carolas. Quem bebe muita cachaça é cachaceiro? Tá, sim. Quem faz todo tipo de penitência na quaresma é carola? Tá, ok! Como qualquer bebida de dose, a cachaça foi feita para ser apreciada, degustada, entendida… não para beber igual um louco (só em algumas ocasiões especiais :). Do mesmo jeito que a Quaresma deve ser compreendida como um tempo de estreitamento de relações com a espiritualidade, o Algo maior. A cachaça também tem seu algo maior: sua história. Nossa história. História, essa, que devemos nos estreitar cada vez mais, dar o valor merecido.

E imconpreendidas e deixadas de lado, ambas são subestimadas. Um dos drinks mais conhecidos do mundo é a caipirinha e a Quaresma é um dos melhores momentos para se analisar a vida – esse último ao meu ver. A minha Quaresma eu passo sem álcool (quando eu bebo um dia, eu tenho que pagar uma cesta básica) e fico sem fazer a barba totalmente, além de rezar e praticar a caridade. Sei que os dois últimos tinham que ser o ano inteiro (eu tento!), mas na Quaresma é bom que tá para organizar tudo, criar os objetivos do ano, etc., pois toda a bonança acabou. Agora é só tempestade, junto com as águas de março.

Finalizando, o processso de destilação da cachaça é um dos mais complicados que se tem, pois nem tudo é aproveitado: a cada destilação, somente o “coração” é aproveitado, e qualquer deslize pode resultar na perda do fermentado. Esse ponto que o cachaçólogo delimita o caração da destilação é que o ‘tchan’ do negócio. E a Quaresma sem um jejum é como se o “coração” dessa passagem fosse desperdiçado, tirando a relação muito forte com o catolicismo, e aumentando a relação com o Cristianismo. Mesmo quem não seja cristão, o respeito pela história de Cristo deve ser preservado, mesmo diante de tanta coisa que nós faz pensar se tudo aquilo realmente aconteceu. Então, do mesmo jeito, devemos fortalecer a história da cachaça, para não termos dúvida da posição dela na construão da identidade brasileira no futuro.

É isso!

Uma boa dose de cachaça a todos para molhar a palavra da próxima vez.

Se forem tomar uma, me liguem!

😀

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One Comment leave one →
  1. Quarta-feira, 17 - Março, 2010 01:22

    Hmmmmmmmmmm beberrão

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