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O nada é tudo

Quarta-feira, 21 - Abril, 2010

Não sei se você sabe, mas eu fui jubilado da faculdade. E se você não sabe disso, você é um mané pra quem eu não ligo muito. Você conhece alguém que foi jubilado de uma faculdade? Eu não conhecia. É algo quase impossível, já que há um milhão de jeitinhos pra te fazer continuar lá. Só que eu não sou um cara de jeitinhos. Mas eu fugi do assunto.

Sem a faculdade, eu não faço nada. Tá bom! Faço cursinho pro meu próximo vestibular, mas isso é a mesma coisa que nada. Sem contar que durante todo o semestre passado eu fiquei sem fazer nada, ou seja, em julho eu completo aniversário de fazer nada.

Você pode achar que é brincadeira, mas não fazer nada é quase impossível. Você tem que se controlar muito e reprimir todos os pensamentos que surgem, pois se você pensar, vai aparecer uma nova idéia do que fazer e aí você sai da situação do “nada” e passa para a situação do “algo”. É um exercício de autocontrole (auto-controle ou auto controle) e do conceito “I’m the master of myself”.

Mas quando você deixa de praticar o nada e vai fazer algo, como beber, ir em uma balada ou algo semelhante — que são coisas que pessoas que não fazem nada fazem, já que elas são consideradas como nada — você tem que conversar e agora você já está pensando “caralho, se ele não faz nada deve ser difícil trabalhar”. Mas vocês estão todos enganados. Nesses meses eu conheci mais gente do que em toda a minha vida e isso foi baseado em que “fazer nada” é um bom começo de conversa.

Quando você conhece alguém, logo te perguntarão o que você faz e no meu caso eu simplesmente digo que não faço nada e todo mundo fica impressionado com isso. Sem contar que não fazer nada deixa uma impressão de que você é milionário e é aí que você tem mais chances de pegar a gostosinha da faculdade particular da esquina que nunca tinha falado com você antes.

Assim que você diz que não faz nada, uma longa conversa começa e você dificilmente sofrerá de falta de assunto. Além di milionário, você será bom de papo e em muitos casos isso basta. Um pouco mais tarde é bom ter um pinto grande também, mas não é extremamente necessário, desde que você tenha uma língua legal.

Acho que isso não deve acontecer com todos, mas no meu caso tive anos de devoção e aprendizagem com o grande mestre, Seinfeld. É impressionante como o nada logo se torna em tudo e você que pensava ser um scumbag passa a ser uma pessoa interessante.

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